
A pergunta: Como sair da crise? foi o tema desta semana do programa da RTP1 Prós e Contras, o primeiro para este ano de 2010.
Desde que me lembro de existir que oiço falar em crise. Parece-me que a "crise" não é mais um estado que se prolonga há anos mas é já parte do ADN do nosso país. Verdade que este sentimento agravou-se com a "crise" internacional; uma crise de valores e de falta de transparência que chegou às ultimas consequências - afectando a vida de pessoas inocentes que de um dia para o outro ficaram sem as suas poupanças de uma vida, enquanto outros, viajavam em jactos privados sem terem vida para isso. Ainda que venham a receber o que lhes é devido, o susto e a "nevoa" psicológica mantém-se em muitos, e nada será como antes.
Gostaria de deixar aqui as minhas conclusões do programa de ontem (quatro pontos importantes):
1 - Falou-se em principios de ética, pontualidade, responsabilidade e disciplina. Entendo que somos um povo melhor que muitos em massa criativa, falta organizarmo-nos, com principios de conduta individuais.
É verdade que em Portugal, toda a gente chega atrasado a reuniões, entrevistas, encontros, e acham normal. Ao fazermos isto não só atrasamos o crescimento do pais, como vamos adiando a nossa própria vida. Sejamos responsáveis pelo nosso tempo e pelo tempo do outro e que o exemplo venha de cada um.
O Professor José Tribolet (IST/INESC), com um discurso altamente assertivo e emotivo até, referiu a este ponto que os políticos carecem de formação, tal como os empresários que abrem uma empresa sem preparação, os governos também o exercem a sua profissão sem estarem preparados. Carecem de auto-avaliação e de dar o exemplo, o que deve acontecer nos países desenvolvidos. Aplaudo a proposta do Professor em se recolherem todos os deputados para um fim-de-semana no Instituto Superior Técnico, com o objectivo de formar a classe politica. Como ele próprio diz: não é só aquelas conferências em que não se aprende nada e vão só porque que vem uma figura internacional e têm que pousar para a fotografia, mas, uma formação a sério, conscientes que para ser um profissional da politica, é preciso também os três saberes: saber-saber e o saber-fazer e o saber-ser.
Não basta uma pessoa de uma determinada instituição dar o exemplo na ética e na disciplina, terá que ser a instituição em peso a dar exemplo para os cidadãos. Não é vergonha nenhuma os politicos tirarem fins-de-semana para formação. Para mim seriam um exemplo de trabalho e esperança no futuro.
Aplaudo toda a prestação deste professor, que deu um enorme valor acrescentado ao programa de ontem.
2 - Falta-nos consciência cívica e social; qual é o nosso papel na sociedade e até na nossa própria vida. O que queremos para nós? o que queremos estar a fazer daqui a um, cinco ou dez anos? Sou disciplinada? estou altamente motivada? de que preciso? a trabalhar todos os dias para isso. Não é o estado ou o governo que vai resolver os problemas do país. Um país são pessoas, e é a sua conduta que dita os seus destinos.
3 - O Administrador da Hovione, Peter Villax, sintetizou na minha opinião, a solução para Portugal "sair da crise":
"Temos que reduzir o défice de três maneiras: 1 - aumentar as taxas de impostos - politicamente inaceitavel; 2 - reduzir a despesa, despedir funcionários públicos - politicamente inaceitavel: só sobra a terceira - 3 - aumentar a riqueza do nosso país, aumentar a base economica do país, para poder aumentar a base tributária o nosso país e conseguirmos, aí sim, aumentar a cobrança de impostos sem aumentar as taxas".
Como fazer aumentar a riqueza do nosso país? Entendo que basta passar à prática os principios de ética e de disciplina: trabalho, disciplina. trabalho, disciplina.
Parafraseando o seleccionador nacional de raguebi, Tomás Morais "o sucesso começa em mim".
4 - Aprender com os mais velhos, sem estes impedirem as novas gerações de decidir. Considero que faz falta a partilha, troca de saberes entre os mais velhos ("do tempo do outro senhor") e as novas gerações. Já me aconteceu o que foi referido no programa por um dos estudantes, os mais velhos impedirem-nos de decidir e muitas vezes de dar opinião; ajudando a estagnar o país. Não queria chegar a sénior sem ter "bebido" desta sabedoria. Parece-me que o diálogo, avós-netos, pais-filhos, chefias-colaboradores, intelectuais-sénior-estudantes está em mau estado de saúde. O futuro depende desse passar de testemunho, e todos temos obrigações nisso: ouvir e partilhar. Mais encontros universitários com professores e alunos numa convivência sã e frutuita para ambos. Fazer uma verdadeira ligação universidade-empresa. E falta também, fazer com que as informações circulem livremente com base no premiar do mérito individual. Onde posso ir para conhecer as ofertas profissionais das empresas? Processos de recrutamento abertos e transparentes. Já vão havendo gabinetes nas universidades que fazem este trabalho, mas é, muito pouco para o estado em que já deviamos de estar. Identifiquem-se as forças de bloqueio e substituam-se estes por formas mais benéficas para o bem comum.

